22 de jun de 2009

ribeirão vermelho

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Recebi mensagem da jornalista Érika Santos, do Iepha, na qual chama a minha atenção para um possível equívoco no post sobre o conjunto ferroviário de Ribeirão Vermelho. Segundo Érika, omiti informação importante na reportagem do jornal O Estado de Minas.
Acessei a reportagem no domingo, pelo portal Uai (http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_2/2009/06/21/em_noticia_interna,id_sessao=2&id_noticia=115458/em_noticia_interna.shtml) e o título não deixa margens a relativizações:"Patrimônio ferroviário corre risco de desaparecer em Minas". Por outro lado, o Portal Uai, ligado ao Estado de Minas, não faz menção ao fato de que haveria uma complementação da notícia. Portanto, não se trata de omissão, mas de informação mal elaborada pelo veículo responsável. Respondi à Érika Santos, colocando-me à sua disposição para complementar as informações necessárias, o que faço a seguir.
Antes disso, esclareço que nada tem de pessoal, nem de mal intencionado, nas minhas cobranças e críticas, seja ao Iepha ou a qualquer outro órgão ou figura pública.
Por isso, ainda que o Instituto já tenha iniciado estudos para o tombamento, iniciativa que aplaudo, não posso deixar de notar que o edifício esteja desocupado desde os anos 50, e que a ação vem com atrazo. Por outro lado, vai se confirmando a minha tese de que é temerário deixar o tombamento sob a responsabilidade dos municípios: ou o Iepha é o guardião do patrimônio mineiro, ou não é.
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A seguir, a complementação da reportagem do EM:

Iepha/MG faz estudos para tombamento
Gustavo Werneck - Enviado especial

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG), vinculado ao sistema estadual de cultura, já iniciou os estudos para futuro tombamento do complexo ferroviário de Ribeirão Vermelho. "A ideia inicial é tombar o conjunto paisagístico ferroviário", diz a gerente de Patrimônio Material do órgão, Rosana de Souza Marques. Ela destaca a importância da rotunda, mas não aceita que o prédio esteja abandonado. "A partir do momento em que a prefeitura comprou a edificações, instalou serviços na estação, mantém funcionários no local e busca parceiros para fazer o restauro, essa situação deixou de existir", afirma Rosana, que prepara o relatório sobre o complexo. Ela destaca que, no estado, há outras rotundas menores em Além Paraíba, na Zona da Mata, hoje com oficina, e em São João del-Rei, nos Campos das Vertentes, que abriga um museu, com máquinas, vagões e outras peças.

De acordo com historiadores, a estação ferroviária de Ribeirão Vermelho foi inaugurada em 1888, um ano antes da Proclamação da República. Na época, a cidade era ponto estratégico. A importância do conjunto está presente na rotunda, considerada a maior edificação do gênero construída em Minas no século 19. Olhando a paisagem, impossível não imaginar os prédios bem cuidados e com iluminação especial, contornos realçados e uma programação cultural permanente, aulas de educação patrimonial e outras atividades.

Com estrutura metálica no telhado, que contém a parte central vazada, a rotunda funcionava como local de abrigo, manutenção e manobras de locomotivas, apresentando, no centro, um dispositivo chamado de girador de locomotivas, de onde irradiavam as linhas. Na sua vistoria, o procurador da República Antônio Arthur Barros Mendes constatou que todo o complexo, à exceção de duas edificações recuperadas pela prefeitura, está "bastante degradado, sujeito a ações de vandalismo e ao paulatino desaparecimento". Com o inquérito civil, disse, o MPF quer identificar e obter, dos responsáveis, intervenções que permitam o fim da deterioração e avaliar as medidas que possam conduzir à plena recuperação do patrimônio ferroviário. "Para isso, buscamos informações no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Prefeitura de Ribeirão Vermelho e com o inventariante da extinta RFFSA", disse o procurador.



Na ilustração, foto do studiolo de Federico de Monfeltro, em Urbino: compasso, esquadro e o tempo... até a música espera, guardada.

Um comentário:

cassiano disse...

Sou Cassiano Alcantra arquiteto e morador de Ribeirão Vermelho, e também não consigo entender a demora para o tombamento a nível estadual, pois venho acompanhando este processo desde 2003, quando recebemos a primeira equipe do IEPHA, o complexo é tombado a nível municipal temos o conselho patrimonial, mais não é o suficiente para manter a sua integridade e preservação, pois Ribeirão Vermelho é um município pobre sem recursos, possui apenas o repasse do ICMS Cultural para investir no patrimônio e é insuficiente, só para comprar o patrimônio da extinta rede, a prefeitura teve que parcelar em vários meses usando todo o repasse, agora estamos fazendo vários projetos de restauro para captar recursos através de convênios.
Espero que os órgãos de preservação tenham mais consciência e agilidade e nos ajudem logo a preservar este bem, que não é somente dos mineiros mais sim da nação.