11 de jun de 2009

pavilhão nacional

Disse o Daniel Piza, no seu blog do Estadão:
"Quando eu tinha nove ou dez anos, gostava de desenhar as plantas de onde estava, como a da minha casa ou a de minha avó, de ler revistas de arquitetura e folhear livros de história da arquitetura. Como a família dizia que eu desenhava bem, ficou a idéia de que eu seria arquiteto no futuro. Não sou, para felicidade geral dos habitantes, mas o assunto me interessa tanto que às vezes chego a pensar que há certa frustração aí. Frustrante, porém, é a maneira como ele é tratado no Brasil. As revistas especializadas são poucas e muito técnicas, os jornais generalistas mal tocam no assunto, as pessoas cultas não parecem incluí-lo na pauta. Em grandes cidades como Nova York, Paris, Londres ou Berlim, cada prédio novo que chame a atenção – seja comercial, residencial ou público – é motivo para intermináveis debates sobre sua estética e pertinência."
Trecho de "Arquitetura do debate" publicado no excelente e diversificado blog do Daniel Piza, Seção: arquitetura 08:42:21.

Começo citando essa queixa-denúncia, primeiramente para juntar o meu lamento ao de todos que sabem que a arquitetura é um fato cultural altamente significativo em todas as culturas. Entretanto, o nosso fracasso em obter a adesão da sociedade na busca de um ambiente construído melhor e, porque não, mais bonito e instigante, não é apenas triste, mas fere a própria ética profissional.
Cabe a qualquer profissional, empenhar-se no aprimoramento da sociedade na sua área de atuação, seja insistindo para que as pessoas se deixem vacinar ou para que exijam seus direitos constitucionais. Mas o mesmo vale para a arquitetura, cuja “popularização” é uma questão que está muito além do mercado de trabalho.
Os arquitetos não possuem um discurso que seja largamente entendido, isto se tratando dos que tem algo a dizer. Por outro lado, o discurso da pseudo intelligentzia arquitetônica, não atinge sequer a maioria dos arquitetos, o que dificulta a evolução tanto dos profissionais quanto da disciplina.
Penso que arquitetos deveriam defender a boa arquitetura, seja ela concebida por estrangeiros ou brasileiros e criticar soluções ruins, sejam elas resultado de concurso ou não.
Portanto, quando um edifício de qualidade tão revoltantemente baixa quanto o Pavilhão do Brasil para a Expo 2010 de Shanghai vai se legitimando sem um protesto veemente da categoria, é sinal de que talvez façamos jus ao nosso atual desprestígio.





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4 comentários:

Cibele disse...

Uma vizinhança constrangedora! Mas estranhamente bela!

sergio disse...

O constrangimento é a gente com esse pavilhão aí, né?

guilhermestudio disse...

há muito mais constrangimento em nossa volta que adimitimos, ou aceitamos.
Pra que fazer o melhor se nos contentamos com o excencial, o substancial? Pra que deliciar-se, se podemos apenas matar a fome, pra que transito bom se apenas temos que nos locomover, pra que aprender se precisamos saber o que nosso trabalho exige e nos mantem nessa rotina mecânica.
Não é revolta, é minha reflexão profissional de 2 anos, envolvimento com interiores, pesquisa em design... O que repercute é o mais alto, o que é bom é o mais caro.
O que o Brasil tem pra mostrar é isso mesmo, um bloco "Carandiru" com alguma coisa verde.
Não somos uma selva, mais o verde e amarelo além de lembrar a seleção, remetem a essa sobrivencia selvagem, adimitindo os absurdos notificados pela mídia internacional (e tem muita coisa boa tb, muita alegria , etc).

ricardofaria disse...

Ridículo