15 de jun de 2009

IEPHA, Minas Diesel e Óleo de Peroba


No almoço do último dia das Mães, conversávamos sobre as nossas memórias, nas quais tinham destaque as décadas que moramos no bairro da Floresta. Lá pelas tantas, perguntei se alguém fazia idéia de quantos imóveis haviam sido tombados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais. Minha mãe se apressou: “ah, mais de mil...”, um irmão discordou: “ ora, pelo menos uns 2000”. A sobrinha ponderou: “gente... estamos falando do estado inteiro... tem Ouro Preto, Diamantina, Belo Horizonte, o sul de Minas... é muita coisa.... devem ser uns 10.000” .
Pedi que se segurassem na cadeira, sugestão que estendo aos que me lêem agora: “São 132”. “Mil???”, perguntou um distraído. Não: 132 imóveis foram tombados pelo IEPHA em Minas Gerais, até hoje.
É claro, podem haver sutilezas, meandros, impossibilidades, estratégias, pendências, categorias, mas cento trinta e dois? É frustrante.

Dentre as atribuições do Instituto, destaco a seguinte: “...é importante o entendimento do Estado como incentivador, fomentador, definidor de referências técnicas de excelência...”. Fica explícito aí, que o Estado não deve apenas proteger, mas também difundir valores e exemplos que contribuam na educação da população, possibilitando que ela reconheça e valorize os bens culturais. Também não passa despercebido que o texto deixa aberta a porta para a definição unilateral do que seja excelência. Entretanto, sempre que o IEPHA tomba e explica os motivos, espera-se que nos dê uma aula sobre o Patrimônio, que abra novos campos de reflexão e que ilumine aspectos pouco lembrados. Ao tombar um bem ele está realizando uma nova reflexão sobre a cultura e estimulando o seu dinamismo. Isso deveria ser feito em grande estilo, em praça pública, com a presença do padre, do juiz e dos alunos do grupo.
132 aulas ou tombamentos em quase 50 anos de atividade, não constroem uma cultura. Ou constroem a cultura do descaso.

Recebi hoje, um comunicado do IAB fazendo um apelo aos órgãos públicos, pela preservação de um edifício de endereço impreciso e de autoria não especificada, o qual, pelas fotos anexadas é a sede da Minas Diesel, projeto do arquiteto Oswaldo Santa Cruz Nery.
Há mais de trinta anos, a empresa foi notificada sobre a iminente ampliação da Av. Antônio Carlos. Comprou um terreno na 040 e promoveu um concurso para a escolha do projeto. Se o IEPHA, braço de um Estado que se auto define como “... o grande zelador do patrimônio cultural de seu povo” sabia da possibilidade da demolição, há trinta anos, porque nunca se manifestou?

Talvez esteja na hora do Instituto diversificar os temas das suas aulas, nos explicando também a irrelevância dos bens não tombados.

5 comentários:

Li (Eliane Melo) disse...

Bom, considerei mil tombamentos um palpite bastante otimista!!!!... Mas 132?!!!... Só?!!!... Brincadeira, né!... E haja óleo de peroba!!!

sergio disse...

Só de lápis vc tem mais, né?

sergio disse...

E sobre o número 1000: em 1998, Roma estava executando um plano para comemorar o nôvo milênio: estava restaurando MIL (1000) obras.

Teresa Silva disse...

Olha Sérgio... acho que você está meio mal informado. Já fiz vários cursos e oficinas de educação patrimonial ministrados pelo Iepha, e sempre acompanho notícias de coisas assim. No site deles mesmo tem informações nesse sentido.

Outra coisa é que 132 tombamentos não significa 132 imóveis, já que centros históricos podem agrupar centenas de construções. Mil bens tombados nem o Iphan (país todo) tem. Não é por quantidade, é por representatividade que a coisa funciona. Não é pra sair tombando qualquer coisa. Tem que ter pesquisa, embasamento, reflexão. De que adianta tombar e não conseguir dar assistência aos bens protegidos? Fora que o iepha não só tomba coisas, mas também apoia (dá suporte em projetos, restauros e inventários, etc) os tombamentos dos municípios, e aí sim beira os cinco mil bens tombados em Minas.

Só acho que antes de requerer óleo de peroba você deveria procurar se embasar, ler a respeito... e se ainda assim não estiver satisfeito, liga pra eles, manda aqueles fale conosco (eles são obrigados por lei a responder em 48h) e aí sim vc pode chamar uma instituição de cara de pau. Na piração da crítica irresponsável o óleo de peroba fica pra quem não sabe do que está falando!

;)

Camila Chistina disse...

O dono da verdade, você poderia se informar um pouco antes de falar mal de uma instituição séria como o Iepha.
Tombamento por si só não garante preservação. O que mantém a história viva é o sentimento de pertencimento que deve partir do próprio povo. Pois a ele pertence os prédios e a história que eles guardam.
Da próxima vez leia mais sobre o assunto antes de falar bobagem.