21 de jul de 2009

paulistanas 1

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Quando elogiamos uma cidade, é quase automática a relativização do elogio, pois em todas elas se manifestam as desigualdades sociais, desigualdades estas que vão desde as diferenças de renda, até as de educação e civilidade.

Os diferentes grupos que formam as cidades possuem linguagens construtivas peculiares também. Num extremo, propostas impulsionadas por modismos inevitáveis, por arquitetos da moda e também por arquitetos sem talento nem discrição. No outro, a exigüidade do tijolo nu, dos beirais de laje pré-moldada e das janelas sasazaki.

Do ponto de vista da arquitetura, costumamos lançar um olhar benevolente sobre as edificações de todos eles. No primeiro, a parcela mais numerosa e conservadora, que usa telhados e outros elementos românticos, é tratada com desprezo e ignorada. Já os poucos exemplos de propostas plástica, programática ou conceitualmente inovadoras, geralmente não são analisados criticamente, sendo apenas apresentados e incensados nas revistas.

No grupo da autoconstrução, tudo é justificado pela pobreza. Mesmo que ela seja um grande limitador, não vou eximir os pobres da sua parcela de responsabilidade, seja quando jogam lixo no lote ao lado, seja quando não se importam com a qualidade, no sentido amplo, das suas casas. Chamo a atenção para o fato, sabido, de que há 50 anos os mais pobres ainda construíam com dignidade. Portanto não é apenas uma questão de custos, mas também de valores. Se na maior parte das vezes em que há dinheiro disponível, ele se destina a outros gastos que não a casa, quando ela recebe investimentos, a sabedoria do construtor raramente se apresenta.

Não há como negar que a nossa cultura construtiva, que um dia foi patrimônio coletivo, está ameaçada.






















Embu/SP e SP/SP: houve um empo em que quase todos mestres de obra possuiam um razoável vocabulário arquitetônico.
BH/MG: isso está mudando...

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